Dois anos após minha primeira visita ao Delirium Café algumas coisas mudaram no bar famoso por ter a mais longa lista de cervejas do mundo. O império Delirium tomou conta da Impasse de la Fidélité com o Delirium “original”, Floris Bar, Delirium Monasterium e outros recintos da marca Delirium espalhados em volta da Grand Place. Todos os bares da marca são muito bem apropriados para quem deseja se embriagar com cervejas, vodkas ou tequilas. O cigarro foi proibido dentro do bar, como em toda a Bélgica que era um dos últimos paraísos dos fumantes na Europa (embora a lei anti-fumo na Europa não seja tão rígida quanto a brasileira). Outras coisas continuam iguais, como a música que continua (muito) alta, o público que continua (muito) jovem e a lista de cervejas que continua (muito) grande.
Numa sexta-feira à noite o bar se encontrava lotado e chegar ao balcão não era tão fácil quanto deveria ser. Estava ansioso para experimentar cervejas que não encontraria facilmente em outros lugares. Comecei pela Gueuze da Tilquin, a mais nova geuzerie belga. Servida na pressão, a Tilquin veio para enriquecer ainda mais a fantástica seleção de cervejas artesanais de fermentação espontânea na Bélgica.
Em seguida perguntei para a garçonete se ela tinha a Rodenbach Vin de Céréal. Ela foi checar e rapidamente voltou com a garrafa que eu esperava. Uma Rodenbach Vin de Céréal 2004 certamente não é algo que pode ser encontrado facilmente. A cerveja com 10% de ABV não possui carbonatação alguma. O álcool é imperceptível e o sabor extremamente complexo e aveludado, tudo de bom para uma noite fria e úmida na linda Bruxelas. Na foto ela aparece ao lado de uma Cantillon Rosé de Gambrinus. As duas cervejas estavam sendo cuidadosamente vigiadas por mim já que um rapaz totalmente dopado dançava perto da porta de entrada do bar. Não bastasse os passos que ele fazia, de vez em quando ele se jogava no chão e colocava as pernas para cima quase derrubando as mesas e levando ao delírio as pessoas ao lado.