domingo, 24 de julho de 2011

Strong Ale

Até agora todas as cervejas que maturamos em nosso barril de carvalho eram cervejas de teor alcoólico moderado e com uma proporção não muito grande de maltes especiais/escuros. Isto resultou em cervejas que, no início, ficaram sobrecarregadas nas características do carvalho, mas que após algum tempo engarrafadas foram perdendo os aromas de madeira e ganharam em drinkability.

Desta vez decidimos maturar uma cerveja de maior teor alcóolico, alta lupulagem e alto percentual de maltes caramelo. Esperamos que agora os taninos da madeira se enquadrem de maneira mais harmoniosa e mais adequado com os sabores do malte caramelo e da intensa lupulagem.

A receita ficou assim constituída (45 l):
  • 10 kg de malte pilsen
  • 2,5 kg de malte munich trigo
  • 2,0 kg de malte cara 120
  • 0,5 kg de malte special B
  • 1,0 kg de açúcar branco
A lupulagem (IBU 85) ficou por conta dos seguintes lúpulos:
  • 140 g de Hallertau Tradition @ 10,0% a.a.
  • 45 g de East Kent Goldings @ 5,4% a.a.
  • 24 g de Styrian Goldings @ 4,1% a.a.
Para fermentar usamos o WYEAST 1007.

Após quase um mês de fermentação a cerveja se encontra agora há pouco mais de uma semana no barril de carvalho. A atenuação deve aumentar um pouco o que deve diminuir um pouco o FG de 1,020.
  • OG: 1,084
  • FG: 1,020
  • ABV: 8,5%
Ein Prosit!

sábado, 16 de julho de 2011

Gueuzerie Tilquin

Nos últimos dias do mês de maio uma nova gueuze passou a estar disponível no mercado: a Gueuze Tilquin. Esta Gueuze é produzida pela mais nova blendaria de lambic em mais de 15 anos e é também a primeira a ser produzida na região da Valônia. Até então todos os produtores de Lambic e Gueuze se encontravam situados na Pajottenland, região no entorno da capital Bruxelas, geograficamente localizada na região de Flandres.

A Gueuzerie Tilquin é fruto do esforço de Pierre Tilquin, que antes de iniciar sua Gueuzerie passou 6 meses trabalhando na 3 Fonteinen e outros 6 meses na Cantillon, dois dos mais tradicionais produtores de Lambic. As Guezes e Lambics produzidas por Tilquin serão blends do mosto que será fornecido pelas cervejarias Boon, Cantillon, Girardin e Lindemans.

Os investimentos feitos por Tilquin possibilitaram a aquisição de 222 barris de 400 litros cada, o que representa um volume total de amarzenamento de 888 hl. Inicialmente Tilquin pretende vender 500 hl de suas cervejas por ano, sendo que estes 500 hl serão compostos de Lambics blendadas e Gueuze. O primeiro rótulo de Tilquin disponível no mercado é a Oude Gueuze Tilquin à l'Ancienne, um blend de lambics de 1 e 2 anos.

Conforme explicado no ótimo livro LambicLand, parece estar havendo realmente um espetacular ressurgimento das cervejas de fermentação espontânea, que, segundo o mesmo livro, estavam desaparecendo há pouco mais de 5 anos atrás. Neste sentido, a Gueuzerie Tilquin vêm para fortaceler essa onda de ressurgimento de Lambics tradicionais e compensar a perda de fabricantes como a Belle-Vue, que após a aquisição pela AB-Inbev, passou a oferecer produtos com forte apelo comercial, deixando de lado os métodos mais tradicionais de produção.

Devido à produção limitada da Tilquin é difícil imaginar que algumas garrafas da Oude Gueuze Tilquin à l'Ancienne sejam importadas para o Brasil, que segundo registros históricos, foi o primeiro país para o qual as Lambics foram exportadas! Conforme Tim Webb conta em LambicLand, o primeiro registro de exportação de Lambic data de 1844, quando Achard Tarcy despachou 500 garrafas de "gueuze-lambick", para sua casa no Rio de Janeiro.

Santé!

*Foto cortesia de Pierre Tilquin.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Alter Herzog" - Uma Session Beer

Ao meu ver tem ocorrido uma grande proliferação de novas cervejas extremas no mercado cervejeiro brasileiro, isto não somente através da presença das importadas, mas também das micro-cervejarias locais que lançaram vários rótulos acima dos 6,0% de ABV (a Bamberg lançou sua versão especialíssima St. Michel, a Colorado lançou uma Imperial Stout que deveria estampar a palavra Vintage em seu rótulo não fosse a burocracia brasileira, a cervejaria Leuven de Piracicaba está com três rótulos com 5,5%, 6,0% e 8,0% de ABV, sem contar as que dubbels, tripels e quadrupels brasileiras que já estão há algum tempo no mercado).

Com isto me parece que o Brasil anda ficando um pouco de fora da onda das Sessions Beers que parece estar começando, bem devagar, a tomar forma principalmente nos EUA. Embora ainda não exista um consenso do teor alcoólico máximo das cervejas que poderiam ser chamadas de Session Beers, acredito que nenhuma cerveja acima dos 5% ABV mereça este título.

Algumas discussões a respeito do assunto podem ser encontradas no Thirsty Pilgrim e no Session Beer Project.
Basicamente o que os Sessionistas desejam são boas cervejas das quais se pode tomar alguns copos sem precisar da ajuda de outra pessoa para se levantar da cadeira. Mas o que é mais importante é que as Sessions Beers sejam boas cervejas, com aroma e sabor dos nobres ingredientes utilizados na preparação da cerveja, e não aquela água de enchurrada pálida e sem sabor que viraram a maioria das pale lagers brasileiras.

Inspirado nas Session Beers decidimos nós mesmos criar a nossa Session Beer, baseada em uma receita que adoramos repetir: Altbier.

A composição de maltes foi simples
  • Pilsen (89%),
  • Cara 120 (11%, para um pouco de sabor e cor).
Decidimos não exagerar nos lúpulos também, mantendo o IBU em 20
  • Hallertau Spalt para amargor
  • Styrian Goldings para sabor e aroma
Um pouco de coentro (10 gramas em 40 litros de cerveja) para adicionar um toque cítrico e incrementar um pouco a cerveja. Fermentamos com WYEAST 1007.

Como deve ser uma Session Beer, mantivemos o OG em 1,042, o que deve resultar em 4,1% ABV, considerando uma atenuação de 75%. Após dois dias de fermentação a temperatura foi reduzida de 17 graus Celsis para 15 graus Celsius.

Prost!

sábado, 9 de julho de 2011

Degustação - Dark Saison II

A parte desta cerveja que foi para um Cornelius Keg já foi degustada há alguns meses atrás, mas existe ainda metade da leva que levou um dry-hopping e foi engarrafada há três meses. Na verdade, esta leva teve três destinos diferentes: i) uma parte foi consuminda na pressão, ii) a outra, que se refere este post, levou um dry-hopping e foi engarrafada, e iii) uma parte levou um starter de uma flemish red ale para virar uma Lacto-Brett Saison e está engarrafada há mais de dois meses.

Dark Saison Dry Hopped

Aparência - Vermelho-rubi profundo quando observado contra a luz. Na ausência de luz direta a cor é um vinho bastante profundo e escuro. A espuma de média formação e média duração apresenta uma coloração bege.

Aroma - O aroma principal, após mais de 3 meses na garrafa, é o caramelo do malte Cara 120. O aroma de lúpulo do dry-hopping está quase inperceptível, em contraste com as garrafas degustadas poucas semanas após o engarrafamento em que o lúpulo dominava o aroma. Toffee e uvas também são perceptíveis no aroma.

Sabor - Sabor de malte, caramelo e uvas verdes. O lúpulo está balanceando bem o doce do malte deixando um retrogosto bem agradável e um sabor geral bem balanceado. A cerveja está mais complexa e mais redonda após os quase quatro meses na garrafa. O ABV de 6,7% ficou bem inserido no conjunto, gostaria apenas que a cerveja tivesse mais corpo. Prefiro a cerveja agora em que o lúpulo está mais contido e o malte está aparecendo mais.

Geral - A cerveja "envelheceu" muito bem e foi interessante observar o trade-off entre o dry-hopping e o malte enquanto a cerveja ia envelhecendo. Infelizmente a cerveja não ficou com um corpo condizente com sua complexidade, mas mesmo assim no geral ficou uma boa cerveja. Certamente a melhor entre as duas Saisons que fizemos até agora.

Prost!