sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Carboande belga

Qual o prato ideal para acompanhar uma boa cerveja? Bom...depende, depende da cerveja, depende da estação do ano, depende do seu humor. Após quatro meses na Holanda, em uma cidade muito próxima da fronteira com a Bélgica degustei ótimas cervejas acompanhadas de...batatas fritas, frikandel, croquetes holandeses...para ser sincero nada muito bom. Ótima comida para o fim de uma noite de bebedeira, devido ao alto teor de gordura dessas especialidades, mas nada muito especial para acompanhar as ótimas Dubbels, Tripels, Quadrupels produzidas na Bélgica e na Holanda. Cansado de "junk food" tentei uma das tradicionais receitas belgas que acompanham bem uma ótima Dubbel. A Carbonade é um prato à base de carne e cerveja e, na minha visão, é a interpretação belga do famoso cozido irlandês com Stout (ou ao contrário, tanto faz).


Existem dezenas de variações da Carbonade sendo que a base é constituída por carne picada em pequenos pedaçoes (carne para sopa por exemplo), cebola, alho, legumes, verduras, e para engrossar o molho, uma boa dose de uma cerveja escura e não muito lupulada. A minha versão é uma interpretação bem simples deste prato a base de alho, bacon, cebola, carne, champignons e La Trappe Dubbel para o molho. O resultado foi muito bom. Muito melhor que frikandel ou croquetes. Mas ainda quero fazer uma Carbonade mais complexa, com mais temperos e talvez tentar uma cerveja diferente. Gostaria de ver como uma Rodenbach se sairia na Carbonade.
Gezondheid!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

American Pale Ale - Degustação

Essa American Pale foi produzida no início de Outubro/2011 e fermentou lentamente durante duas semanas e com 4 semanas de maturacão já apresenta resultados supreendentes, abaixo as impressões:
Aparência – Dourado turvo, com espuma branca de alta formação e média duração, deixando muitas marcas no copo enquanto consumida.
Aroma – Predominante de lúpulo, porém suave. Baixo aroma de malte, e ausência de diacetil e ésteres frutados.
Sabor – Corpo médio, com elevado amargor de lúpulo e delicado sabor de malte, final seco, com notas identificadas como maracujá e o amargor do lúpulo se prolonga até o final.
Geral - Ótima cerveja, muito refrescante e fácil de beber, apesar de quase 6% de ABV o álcool é quase imperceptível.
Receita:

Maltes:

  • Pilsen - 9,75 Kg.
  • Special B - 0,25 Kg

Lúpulos:
  • 90 g - Hallertau Spalt - 90 minutos.
  • 90 g - Hallertau Tradition - 90 minutos.
  • 20 g - East Kent Goldings - 60 minutos.
  • 10 g - Styrian Goldings - 30 minutos.
Levedura:
  • US - 05 Safale
Fermentação primária - 15ºC - 14 dias.
Diacetil Rest - 20ºC - 2 dias.
Maturação - 2ºC - 30 dias.

Extras:
  • 4 g nutriente para fermento Wyeast.
  • 10 g Irish Moss.
Temperaturas:
  • 55ºC - 30 minutos.
  • 65ºC - 60 minutos.
Lavagem dos grãos com água (78ºC) durante 120 minutos.
  • Fervura do mosto - 90 minutos.
Resultados:
  • Volume= 40 litros
  • OG= 1,060
  • Rendimento= 78%
  • IBU= 60
  • SRM= 10
Prost !


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Koningshoeven

Finalmente consegui fazer uma visita até a abadia de Koningshoeven que produz a única cerveja trapista da Holanda, a La Trappe. A abadia fica localizada em uma área rural da vila de Berkel-Enschot, mas não muito longe do centro de Tilburg. Se você estiver em Tilburg, basta pegar o ônibus 141 na estação central e descer na parada Koningshoeven, caminhar alguns minutos, atravessar o canal, e chegar em uma estradinha que leva até a abadia. A região onde a abadia fica localizada é bastante bonita e calma nas proximidades de um bairro com belíssimas casas. Felizmente o dia estava bastante ensolarado e a vista do "complexo" de Koningshoeven é bastante bonita.


A abadia fica localizada ao lado esquerdo dessa estrada e a cervejaria, bar e loja da La Trappe (que vende desde cervejas até livros e imagens religiosas) ficam localizadas ao lado direito. Pelo que fui informado não é possível visitar a abadia.
Do lado de fora do bar, que fica em frente a cervejaria, é possível sentar em um banco de madeira e apreciar a bela vista do prédio da cervejaria e das árvores em volta. Do lado de dentro o bar é bastante moderno (como nas outras cervejarias trapistas), mas não muito grande. É possível degustar todas as cervejas da La Trappe na pressão (van 't vat), bem como as garrafas nas versões de 350 ml e 750 ml. A primeira cerveja que tomei foi a La Trappe PUUR, a cerveja orgânica da La Trappe. Com 4,7% ABV é uma ótima opção às cervejas mais fortes da La Trappe. O corpo bem leve também faz com que o lúpulo esteja mais perceptível , harmonizando bem com o leve frutado do fermento.


Depois foi a vez de provar a sasonal Bockbier, uma ótima cerveja, de fato uma das melhores Bocks de alta fermentação que aparecem nesta época do ano na Holanda, lembrando um Dubbel, mas muito mais equilibrada do que esta, a Bock da La Trappe é uma grata surpresa.

Gezondheid!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Westvleteren no Colruyt


A Abadia de St. Sixtus em Westvleteren, Bélgica, irá comercializar suas cervejas na rede de supermercados belga Colruyt. A partir de 3 de novembro será oferecido um six pack de Westvleteren 12 com 2 copos de degustação por 25 euros. Cabe notar que para adquirir as cervejas é necessário recortar um cupom que pode ser encontrado nos jornais, De Standaard, Le Vif e Knack.

A notícia completa, em neerlandês, pode ser encontrada no site abaixo.


Gezondheid!

sábado, 8 de outubro de 2011

Bohemian Pilsener

Produzida pela primeira vez em 1842 pelo cervejeiro alemão
Josef Groll, a cerveja Pilsener é um dos estilos mais jovens de cerveja do mundo.
Em 1842 os cervejeiros de Plzen, Bohemia (República Techa), contrataram Groll para ensinar-lhes a produzir cervejas do tipo Lager (baixa fermentação) uma vez que estes não estavam satisfeitos com as suas produções de Ales (alta fermentação)
Groll ao contrário de seus colegas alemães que usavam grandes porções de malte torrado e malte defumado, usou em sua nova receita somente malte claro, acrescentou ainda generosa quantidade do aromático lúpulo Saaz.
A cerveja foi um sucesso imediato e é considerado o estilo mais copiado e reinventado no mundo todo.
Um exemplo clássico desta cerveja é a Pilsner Urquell (Urquell do alemão significa Fonte Original). Esta magnífica cerveja pode ser encontrada no Brasil, mas com o salgado preço de até R$ 18,00 (interior de SP), enquanto na Europa é vendida por menos de 1 Euro.

Abaixo nossa receita Homebrew da Bohemian Pilsener:

Maltes:

  • 7 Kg Malte Pilsen - 100%

Lúpulos:
  • 130g Saaz - 90 minutos.
  • 65 g Saaz - 30 minutos.
  • 44 g Saaz - 10 minutos.

Levedura:
  • W-34/70 Safelager - 19 milhões de células/ml de mosto.
Fermentação primária - 9ºC - 7 dias.
Fermentação secundária - 2ºC - 7 dias.
Lagering - 1ºC - 45 dias.

Extras:
  • 4 g nutriente para fermento Wyeast.
  • 10 g Irish Moss.

Temperaturas:
  • 38ºC - 30 minutos - 100% do volume.
Decocção Tripla com 1/3 do volume.
  • 65ºC - 10 minutos
  • 72ºC - 10 minutos
  • 98ºC - 10 minutos
  • Lavagem dos grãos com água (78ºC) durante 120 minutos.
  • Fervura do mosto - 90 minutos.

Resultados:
  • Volume= 35 litros
  • OG= 1,045
  • Rendimento= 80%
  • IBU= 45
  • SRM= 3,2
zdravi !

domingo, 2 de outubro de 2011

Modeste Bierfestival

Sob um calor de mais de 30 graus aconteceu no último fim de semana o Modeste Bierfestival na Antuérpia. O festival contou com a presença de inúmeras microcervejarias belgas (daí o nome Modeste) que produzem uma grande variedade de estilos que vão desde Lambics (Drie Fonteinen, De Cam) até as tradicionais ales belgas (St. Bernardus, Dupont). A lista completa das cervejaris pode ser encontrada em http://www.antwerpsbiercollege.be/1-en-2-oktober-modeste-bierfestival.

Além das cervejas e dos snacks belgas alguns homebrewers estavam fazendo brassagens durante o festival e a cada hora acontecia uma visita à cervejaria De Konkinck que recebeu o evento.
Cerveja belga, batata frita e música americana com uma banda de jazz!

Gezondheid!

domingo, 18 de setembro de 2011

Tilburgs Burchtbier



















A Tilburgs Burchtbier (Cerveja do Castelo) é uma ale produzida pela cervejaria De 3 Horne e pode ser encontrada em algumas lojas de bebidas na cidade que dá nome a cerveja.

Aparência - Coloração âmbar escuro, característica de uma generosa proporção de malte munique. Espuma branca de média formação e baixa duração.

Aroma - Caramelo e toffee com o malte munique novamente bastante predominante.

Sabor - Caramelo e delicado amargor. Lembra um pouco uma Munich Dunkel.

Geral - Boa cerveja, a 6,2% ABV tem um bom drinkability. O corpo leve faz com que a cerveja pareça ter uma graduação alcoólica menor do que indicado no rótulo.

domingo, 11 de setembro de 2011

Historisch Bierfestival 2011 - Museumbrouwerij De Roos

Neste último domingo (11/09) aconteceu o Historisch Bierfestival 2011 na Museumbrouwerij De Roos em Hilvarenbeek, Holanda. O evento contou com a presença de várias cervejarias holandesas e algumas cervejarias belgas. As cervejarias presentes são todas cervejarias regionais o que confere ao envento um caráter diferenciado e regional, onde grandes cervejarias não estão presentes. Entre as cervejarias que estiveram presentes, destacam-se a holandesa De Molen, escolhida pelo Rate Beer como o melhor Brewpub do mundo em 2010 e a belga De Dochter van de Korenaar, que com uma ótima Ale maturada em carvalho, escura, alcoólica e complexa, foi a melhor cerveja que tive a oportunidade de experimentar no festival (mostrada abaixo).


A De Molen esteve presente com uma ótima IPA que a 5,2% ABV foi uma boa alternativa à maioria das cervejas mais fortes e pesadas e com uma ótima Quadrupel, com 10% ABV, escura, complexa e lupulada.

Os donos da casa, a Bierbrouwerij de Roos, apresentaram uma Dubbel preparada especialmente para o festival. Uma ótima cerveja, seca, com bom corpo e fácil de beber. Para acompanhar as cervejas, batata frita, truta defumada , porco no rolete e música típica holandesa!



Gezondheid!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Kombucha

A Kombucha é uma bebida fermentada a partir de uma cultura de microorganismos que dá o nome a bebida. O mosto é preparado através da infusão de folhas de chá e açúcar é adicionado para a fermentação. Experimentei a Kombucha Carpe Diem Classic. Segundo o rótulo esta bebida é fabricada a base de infusão de folhas de chá, açúcar de beterraba e suco concentrado de cereja e acerola. A cultura de Kombucha e lactobacillus são responsáveis pela fermentação.

A Carpe Diem Classic possui uma linda cor vermelha/rosa e um aroma bastante pronunciado de ervas e frutas. Ela possui carbonatação bem leve e sabor adocicado com as cerejas bastante presentes. A Kombucha tem teor alcoólico moderado (menor que 1% por volume) e é fonte de diversas vitaminas.

Gezondheid!

sábado, 27 de agosto de 2011

Belle-Vue Gueuze e um homebrew

Mesmo estando bastante perto da Bélgica as Lambics são cervejas realmente difíceis de encontrar. O Café Kandinsky apontado pelos moradores de Tilburg como o melhor lugar para se tomar cervejas na cidade tem em seu cardápio as Gueuzes da Oude Beersel, Boon e Lindemans. Em algumas lojas de bebidas é possível encontrar a Belle-Vue Gueuze, da cervejaria Belle-Vue que hoje faz parte do grupo AB-Inbev. O ótimo livro LambicLand faz duras críticas ao produto da Belle-Vue e aposta que nos próximos anos dificilmente a cervejaria continuará fazer cervejas que possam ser consideradas Lambics pela lei belga.

Após ter provado a Oude Gueuze Oude Beersel e a Oude Gueuze Boon no Kandinsky dei uma chance para a Belle-Vue e experimentei uma garrafa de sua gueuze. A cerveja é mais escura que as Gueuzes tradicionais, possui boa formação de espuma com boa duração diferente de outras lambics. A cerveja é razoável e, dada a dificuldade de encontrar as lambics tradicionais pode ser uma boa substituta aos produtos mais elaborados. Mas ela não passa disso, uma boa substituta com sabores ácidos e azedos bem suaves e Brett quase imperceptível.

A surpresa foi encontrar na mesma loja em que comprei a Belle-Vue uma garrafa sem rótulo (não, não é uma Westvleteren) e com uma tampinha também sem nenhuma informação. Como meu holandês começa no Dank u well e termina no Tot ziens (ou seja, só conheço, basicamente, uma meia dúzia de palavras) não obtive maiores informações sobre a cerveja. Coloquei ela pra gelar e tive uma boa surpresa com uma blond bastante agradável, lupulagem delicada, aromas e sabores frutados sem ser demasiadamente doce como uma Leffe. Boa cerveja


Gezondheid!

sábado, 20 de agosto de 2011

Copos Vintage - La Trappe e Westmalle

Por um período estarei como correspondente internacional da Koloss Bier, com base em Tilburg, Holanda, a cidade de Koeningshoeven.

Andando por Tilburg encontrei acidentalmente uma loja com vários artigos para colecionadores de artigos de cerveja, inclusive copos.

Dentre os vários copos da loja, o da Westamalle e o da La Trappe me chamaram a atenção. Ambos são do final da década de 80.

Gezondheid!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Degustação - "Alter Herzog"

Essa Session Beer foi produzida há apenas algumas semanas atrás, mas já foi carbonatada forçadamente e está arredondando bem rápido. Uma tentativa em fazer algo abaixo dos 4,5% ABV e 25 IBU.

Aparência – Alaranjado turvo, com espuma branca de média formação e baixa duração.

Aroma – Aroma predominante do Styrian Goldings, mas sem ser muito forte. O aroma de malte também se faz presente com notas de pão e um ligeiro aroma adocicado. O aroma bastante leve e equilibrado é um prenúncio do sabor também bastante equilibrado.

Sabor – Corpo bastante leve, com uma lupulagem bastante delicada, puxando mais para o sabor do lúpulo do que o amargor. Levemente adstringente. Faz uma semana que esta cerveja foi carbonatada forçadamente e ela começou a melhorar agora.

Geral – Uma boa session beer, o álcool só começa a ser percebido no segundo ou terceiro copo. Ficou com um bom equilíbrio entre malte e lúpulo, mas acredito que a outra metade da leva, que ainda não foi consumida, vai se beneficiar de um lager mais prolongado. O coentro adicionado na receita ficou imperceptível.

Ein Prosit!

domingo, 24 de julho de 2011

Strong Ale

Até agora todas as cervejas que maturamos em nosso barril de carvalho eram cervejas de teor alcoólico moderado e com uma proporção não muito grande de maltes especiais/escuros. Isto resultou em cervejas que, no início, ficaram sobrecarregadas nas características do carvalho, mas que após algum tempo engarrafadas foram perdendo os aromas de madeira e ganharam em drinkability.

Desta vez decidimos maturar uma cerveja de maior teor alcóolico, alta lupulagem e alto percentual de maltes caramelo. Esperamos que agora os taninos da madeira se enquadrem de maneira mais harmoniosa e mais adequado com os sabores do malte caramelo e da intensa lupulagem.

A receita ficou assim constituída (45 l):
  • 10 kg de malte pilsen
  • 2,5 kg de malte munich trigo
  • 2,0 kg de malte cara 120
  • 0,5 kg de malte special B
  • 1,0 kg de açúcar branco
A lupulagem (IBU 85) ficou por conta dos seguintes lúpulos:
  • 140 g de Hallertau Tradition @ 10,0% a.a.
  • 45 g de East Kent Goldings @ 5,4% a.a.
  • 24 g de Styrian Goldings @ 4,1% a.a.
Para fermentar usamos o WYEAST 1007.

Após quase um mês de fermentação a cerveja se encontra agora há pouco mais de uma semana no barril de carvalho. A atenuação deve aumentar um pouco o que deve diminuir um pouco o FG de 1,020.
  • OG: 1,084
  • FG: 1,020
  • ABV: 8,5%
Ein Prosit!

sábado, 16 de julho de 2011

Gueuzerie Tilquin

Nos últimos dias do mês de maio uma nova gueuze passou a estar disponível no mercado: a Gueuze Tilquin. Esta Gueuze é produzida pela mais nova blendaria de lambic em mais de 15 anos e é também a primeira a ser produzida na região da Valônia. Até então todos os produtores de Lambic e Gueuze se encontravam situados na Pajottenland, região no entorno da capital Bruxelas, geograficamente localizada na região de Flandres.

A Gueuzerie Tilquin é fruto do esforço de Pierre Tilquin, que antes de iniciar sua Gueuzerie passou 6 meses trabalhando na 3 Fonteinen e outros 6 meses na Cantillon, dois dos mais tradicionais produtores de Lambic. As Guezes e Lambics produzidas por Tilquin serão blends do mosto que será fornecido pelas cervejarias Boon, Cantillon, Girardin e Lindemans.

Os investimentos feitos por Tilquin possibilitaram a aquisição de 222 barris de 400 litros cada, o que representa um volume total de amarzenamento de 888 hl. Inicialmente Tilquin pretende vender 500 hl de suas cervejas por ano, sendo que estes 500 hl serão compostos de Lambics blendadas e Gueuze. O primeiro rótulo de Tilquin disponível no mercado é a Oude Gueuze Tilquin à l'Ancienne, um blend de lambics de 1 e 2 anos.

Conforme explicado no ótimo livro LambicLand, parece estar havendo realmente um espetacular ressurgimento das cervejas de fermentação espontânea, que, segundo o mesmo livro, estavam desaparecendo há pouco mais de 5 anos atrás. Neste sentido, a Gueuzerie Tilquin vêm para fortaceler essa onda de ressurgimento de Lambics tradicionais e compensar a perda de fabricantes como a Belle-Vue, que após a aquisição pela AB-Inbev, passou a oferecer produtos com forte apelo comercial, deixando de lado os métodos mais tradicionais de produção.

Devido à produção limitada da Tilquin é difícil imaginar que algumas garrafas da Oude Gueuze Tilquin à l'Ancienne sejam importadas para o Brasil, que segundo registros históricos, foi o primeiro país para o qual as Lambics foram exportadas! Conforme Tim Webb conta em LambicLand, o primeiro registro de exportação de Lambic data de 1844, quando Achard Tarcy despachou 500 garrafas de "gueuze-lambick", para sua casa no Rio de Janeiro.

Santé!

*Foto cortesia de Pierre Tilquin.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Alter Herzog" - Uma Session Beer

Ao meu ver tem ocorrido uma grande proliferação de novas cervejas extremas no mercado cervejeiro brasileiro, isto não somente através da presença das importadas, mas também das micro-cervejarias locais que lançaram vários rótulos acima dos 6,0% de ABV (a Bamberg lançou sua versão especialíssima St. Michel, a Colorado lançou uma Imperial Stout que deveria estampar a palavra Vintage em seu rótulo não fosse a burocracia brasileira, a cervejaria Leuven de Piracicaba está com três rótulos com 5,5%, 6,0% e 8,0% de ABV, sem contar as que dubbels, tripels e quadrupels brasileiras que já estão há algum tempo no mercado).

Com isto me parece que o Brasil anda ficando um pouco de fora da onda das Sessions Beers que parece estar começando, bem devagar, a tomar forma principalmente nos EUA. Embora ainda não exista um consenso do teor alcoólico máximo das cervejas que poderiam ser chamadas de Session Beers, acredito que nenhuma cerveja acima dos 5% ABV mereça este título.

Algumas discussões a respeito do assunto podem ser encontradas no Thirsty Pilgrim e no Session Beer Project.
Basicamente o que os Sessionistas desejam são boas cervejas das quais se pode tomar alguns copos sem precisar da ajuda de outra pessoa para se levantar da cadeira. Mas o que é mais importante é que as Sessions Beers sejam boas cervejas, com aroma e sabor dos nobres ingredientes utilizados na preparação da cerveja, e não aquela água de enchurrada pálida e sem sabor que viraram a maioria das pale lagers brasileiras.

Inspirado nas Session Beers decidimos nós mesmos criar a nossa Session Beer, baseada em uma receita que adoramos repetir: Altbier.

A composição de maltes foi simples
  • Pilsen (89%),
  • Cara 120 (11%, para um pouco de sabor e cor).
Decidimos não exagerar nos lúpulos também, mantendo o IBU em 20
  • Hallertau Spalt para amargor
  • Styrian Goldings para sabor e aroma
Um pouco de coentro (10 gramas em 40 litros de cerveja) para adicionar um toque cítrico e incrementar um pouco a cerveja. Fermentamos com WYEAST 1007.

Como deve ser uma Session Beer, mantivemos o OG em 1,042, o que deve resultar em 4,1% ABV, considerando uma atenuação de 75%. Após dois dias de fermentação a temperatura foi reduzida de 17 graus Celsis para 15 graus Celsius.

Prost!

sábado, 9 de julho de 2011

Degustação - Dark Saison II

A parte desta cerveja que foi para um Cornelius Keg já foi degustada há alguns meses atrás, mas existe ainda metade da leva que levou um dry-hopping e foi engarrafada há três meses. Na verdade, esta leva teve três destinos diferentes: i) uma parte foi consuminda na pressão, ii) a outra, que se refere este post, levou um dry-hopping e foi engarrafada, e iii) uma parte levou um starter de uma flemish red ale para virar uma Lacto-Brett Saison e está engarrafada há mais de dois meses.

Dark Saison Dry Hopped

Aparência - Vermelho-rubi profundo quando observado contra a luz. Na ausência de luz direta a cor é um vinho bastante profundo e escuro. A espuma de média formação e média duração apresenta uma coloração bege.

Aroma - O aroma principal, após mais de 3 meses na garrafa, é o caramelo do malte Cara 120. O aroma de lúpulo do dry-hopping está quase inperceptível, em contraste com as garrafas degustadas poucas semanas após o engarrafamento em que o lúpulo dominava o aroma. Toffee e uvas também são perceptíveis no aroma.

Sabor - Sabor de malte, caramelo e uvas verdes. O lúpulo está balanceando bem o doce do malte deixando um retrogosto bem agradável e um sabor geral bem balanceado. A cerveja está mais complexa e mais redonda após os quase quatro meses na garrafa. O ABV de 6,7% ficou bem inserido no conjunto, gostaria apenas que a cerveja tivesse mais corpo. Prefiro a cerveja agora em que o lúpulo está mais contido e o malte está aparecendo mais.

Geral - A cerveja "envelheceu" muito bem e foi interessante observar o trade-off entre o dry-hopping e o malte enquanto a cerveja ia envelhecendo. Infelizmente a cerveja não ficou com um corpo condizente com sua complexidade, mas mesmo assim no geral ficou uma boa cerveja. Certamente a melhor entre as duas Saisons que fizemos até agora.

Prost!

domingo, 12 de junho de 2011

Apresentação da Cerveja de Mont de Cats

No dia 09.06.11 foi realizada uma conferência de imprensa pela abadia trapista francesa de Mont de Cats em que foi apresentada a nova cerveja que leva o logo desta abadia. Nesta conferência foi esclarecido que a abadia de Mont de Cats não pretende, em um futuro próximo, construir uma cervejaria dentro da abadia devido aos altos investimentos necessários. Sendo assim, a cerveja de Monts de Cats será produzida pela cervejaria Chimay ao menos pelos próximos cinco anos. A distribuição da cerveja será realizada na França e na Bélgica por distribuidores regionais e a cerveja não deverá ser encontrada em grandes supermercados. A cerveja, segundo informações divulgadas na conferência de imprensa e pelas pessoas que a degustaram, se assemelha a Chimay Rouge, com um final um pouco mais amargo. A cerveja deverá receber o logotipo de produto trapista autêntico apenas após uma ano de seu lançamento oficial.

Abaixo o vídeo oficial da conferência de imprensa.


Santé!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Trapistas - Novas cervejas a caminho.

Monges trapistas da Abadia de Mont des Cats, no norte da França pretendem lançar a oitava cerveja trapista do mundo ainda em 2011. A cerveja será a primeira trapista a ser fabricada na França.
A nova cerveja será lançada em uma coletiva de impressa em 09 de Junho. O público em geral deverá esperar até 16 de Junho para poder provar a novidade.
Ainda não está claro se a nova cerveja será clara ou escura, mas Mont des Cats poderá produzir diversas variedades, assim como os outros mosteiros.
Vários conhecedores de cerveja belga tiveram conhecimento do plano dos Monges. O Frades de Mont des Cats tiveram ajuda da Chimay, na Bélgica. Foram os belgas que desenvolveram uma nova receita especialmente para a Mont des Cats Abbey.
Inicialmente a cerveja será fabricada na Bélgica, mas a produção deve ser transferida para a França ainda neste ano.
Atualmente, há somente sete cervejas Trapistas: uma na Holanda : (La Trappe) e seis na Bélgica :(Chimay, Westvleteren, Westmalle, Orval, Achel e Rochefort.)
A cerveja terá ainda que atender algumas exigências: deverá ser fabricada em uma Abadia ou nas proximidades desta e parte dos lucros devem ser destinados a boas causas.
Alguns especialistas questionam se a Mont des Cats será agraciada com o selo trapista tão facilmente, mas vale lembrar que o queijo produzida na Abadia já ostenta o logotipo trapista.
Esperamos que ela chegue logo ao Brasil.

Santé !

Fonte: www.deredactie.be

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Fortuna Alt - Degustação

Esse é o resultado da Fortuna Alt que produzimos no início do mês de Maio, tema da nossa postagem anterior.
Como estamos com poucas garrafas disponíveis para o envaze, enchemos um Keg de 18 litros e estamos consumindo parte da produção da cerveja na pressão.
A apresentacão da cerveja ficou muito boa, com espuma de boa retenção, que deixa marcas no copo ao ser consumida. Por não ser filtrada apresenta corpo opaco e escuro, diferentemente das versões de Altbier produzidas em Düsseldorf.
No aroma, destaca-se um leve frutado, seguido de malte suave e agradável.
Sabor amargo e malte equilibrado, ameixas e caramelo bastante sutis.
Corpo médio, com carbonatação moderada, final seco com forte amargor de lúpulo persistente.
Para os apreciadores de cervejas amargas, a Altbier é uma excelente opção, uma cerveja leve, saborosa e muito fácil de beber.
O copo da foto acima, em formato cilíndrico como são os copos das Alts, mostra alguns pontos turísticos famosos de Düsseldorf. Entre eles a Schlossturm e a torre da igreja de St. Lambertus.

Prost !

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Altbier - Fortuna Alt

Fortuna é o nome de um clube de futebol alemão, fundado em 1895 na cidade de Düsseldorf.
A palavra Fortuna, originária do Latin, significa sorte, destino, riqueza, sucesso.
Assim como o clube de futebol, a Fortuna Alt teve seus momentos de glória e ambos se mantêm através do tempo.
A Fortuna Alt é elaborada com a adição de uma pequena quantidade de trigo maltado, possui uma tonalidade cobre brilhante e um final aromático prolongado e lupulado. (Altbier - Horst Dornbusch)

Abaixo nossa receita adaptada para a Fortuna Alt, que brassamos neste final de semana.

Maltes:

  • 6 Kg Malte Pilsen (67%)
  • 1 Kg Malte Munich Wheat (11%)
  • 1,6 Kg Malte Caramelo (18%)
  • 0,4 Kg Malte Special B (4%)

Lúpulos:
  • 60 g Hallertau (5,3% AA) 90 minutos.
  • 40 g Hallertau (5,3% AA) 30 minutos.
  • 25 g East Kent Goldings (4,1% AA) 5 minutos.

Levedura:
  • Levedura Wyeast 1007 - German Ale

Extras:
  • 4 g nutriente para fermento Wyeast
  • 10 g Irish Moss

Temperaturas:
  • 45ºC - 30 minutos.
  • 55ºC - 30 minutos.
  • 65ºC - 60 minutos.
  • 71ºC - 20 minutos.
  • 78ºC - mash out.
  • Decocção com 1/3 do volume - 15 minutos.
  • Lavagem dos grãos com água (78ºC) durante 120 minutos.
  • Fervura do mosto - 90 minutos.

Resultados:
  • Volume= 45 litros
  • OG= 1,047
  • Rendimento= 80%
  • IBU= 40
  • SRM= 21
Viel Erfolg, Fortuna!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Lambic - Primeira Prova

Depois de sete meses fermentando, fizemos uma prova para verificar como está a evolução da nossa Lambic. A fermentação está bastante lenta (a cerveja ainda está no fermentador primário) e os fermentos que devem estar em ação agora são as cepas de Brett e Lactobacillus presentes no blend da WYEAST.
A amostra degustada foi de 330 ml, engarrafada com priming de açúcar branco e descansou por três dias somente, já que a curiosidade era grande. Aqui estão as impressões:
Aparência: Âmbar claro, alaranjado, turva, sem presença de sedimentos, espuma com baixa formação e duração.
Aroma: ácido leve, bastante agradável, leve avinagrado, terra.
Paladar: Predomina o sabor ácido, mas moderado, pouco avinagrado, seca, com final azedo e salgado.
O resultado foi surpreendente, apesar de muito jovem a cerveja já desenvolveu as características de uma Lambic, lembrando muito uma Geuze.
É evidente que a cerveja ainda vai se desenvolver com o passar do tempo, mas considero que esta cerveja já poderia ser consumida, pois os seus sabores (ácido, azedo e salgado) já estão desenvolvidos, apesar de moderados.
Esta moderação proporciona um maior drinkability se comparada com as cervejas mais velhas. Certamente é uma ótima cerveja para fazer um blend com Lambics mais velhas e portanto mais ácidas e azedas.
Além da cerveja ser relativamente nova (tradando-se de Lambic) o pequeno headspace no fermentador e a maneira como a cerveja foi produzida também contribuíram para a ação mais moderada dos fermentos lácticos. Métodos tradicionais como o turbid mash e uma longa fervura também contribuem para as caracteristicas finais de uma lambic.

Gezondheid!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Hoegaarden 0,0%

A Hoegaarden lança a sua primeira cerveja sem álcool, uma Witbier 0,0% que tem em sua composição os 6 ingredientes típicos da Hoegaarden (trigo, lúpulo, coentro, malte de cevada, casca de laranja e água)
A cerveja destina-se a crescente procura do público masculino e feminino por uma bebida leve e refrescante, que pode ser consumida nos diferentes momentos do dia.
Estará disponível no final de abril para o mercado belga e holandês. Após o lançamento bem sucedido da Hoegaarden Citron e Rose, a empresa acredita no sucesso da Hoegaarden 0,0%.
A cervejaria pertence a AB InBev, sendo comercializada em 60 países ao redor do mundo.
Prost !

terça-feira, 5 de abril de 2011

Forbidden Fruit

Forbidden Fruit é uma cerveja produzida pela cervejaria Hoegaarden, que está situada em uma pequena cidade do mesmo nome, a leste de Bruxelas e Lovaina, região de Flandres na Bélgica.

Fabricada com trigo, maltes escuros, coentro e cascas de laranja, é uma cerveja de alta fermentação, encorpada, de cor avermelha, bastante equilibrada, rica e aromática. Acondicionada em garrafas, apresenta teor alcoólico de 9%.

Elaboramos uma receita tentando manter algumas características dessa cerveja, como o picante do coentro que julgamos combinar muito bem com o trigo não maltado e a laranja. Quanto ao teor alcoólico baixamos para 6% ABV com o intuito de torná-la mais refrescante e com maior drinkiability.


Maltes:

  • 10 Kg Malte Pilsen (83%)
  • 1 Kg Trigo não maltado (8%)
  • 0,5 Kg Malte Munich Wheat (4%)
  • 0,25 Kg Malte Caramelo (2%)
  • 0,25 Kg Malte Special B (2%)

Lúpulos:
  • 60 g Eeast Kent Goldings (5,4% AA) 90 minutos.
  • 15 g Styrian (4,1% AA) 15 minutos.

Condimentos:
  • 20 g grãos de coentro (triturado) 15 minutos.
  • 60 g casca de laranja - 15 minutos.

Levedura:
  • Levedura Wyeast 3463 - Forbidden Fruit

Extras:
  • 4 g nutriente para fermento Wyeast
  • 10 g Irish Moss

Temperaturas:
  • 45ºC - 30 minutos.
  • 55ºC - 30 minutos.
  • 65ºC - 60 minutos.
  • 71ºC - 20 minutos.
  • 78ºC - mash out.
  • Decocção com 1/3 do volume - 15 minutos.
  • Lavagem dos grãos com água (78ºC) durante 180 minutos.
  • Fervura do mosto - 90 minutos.

Resultados:
  • Volume= 45 litros
  • OG= 1,060
  • Rendimento= 75%
  • IBU= 20
  • SRM= 12
Nota: A cerveja encontra-se em processo de fermentação primária, seguidamente vamos acompanhar o processo de maturação em barril de carvalho.

Prost !

domingo, 27 de março de 2011

Dark Saison - Degustação

Maturada durante duas semanas somente, degustamos nesse final de semana um pouco da Dark Saison na pressão. Apesar de muito jovem ainda a cerveja não decepcionou.

Aparência: Marron escura, alta turbidez (não filtrada), boa formação de espuma devido a carbonatação forçada e média duração.

Aroma: Caramelo, frutas secas, lúpulo e álcool leve.

Sabor: Malte suave, frutas secas, caramelo, chocolate, corpo leve, textura rala, dulçor moderado, álcool quase imperceptível e moderado amargor final.

Nota: Após um longo período sem cerveja caseira disponível e adquirindo as cervejas comerciais tipo Premium nacionais, fica evidente a superioridade e a complexidade de aromas e sabores que as cervejas artesanais apresentam. Mesmo uma cerveja jovem como esta, que deve evoluir bastante com o tempo, já apresenta qualidades que nos incentivam a pensar nas próximas produções.

Prost!