sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Festival da Cerveja de Brugge

Nos dias 14/11/2009 e 15/11/2009 estará acontecendo, na cidade de Bruges no norte da Bélgica, o festival de cerveja de Bruges (crédito da foto ao lado: www.brugsbierfestival.be). O festival contará com de 277 cervejas diferentes, sendo que todas, com exceção da La Trappe, são produzidas por cervejarias Belgas. No total serão 67 cervejarias diferentes, o que dá uma média de aproximadanete 4 cervejas diferentes por cervejaria. Mutias cervejarias belgas famosas estarão mostrando seu produto lá, e podemos citar, além das 7 cervejarias trapistas existentes no mundo, algumas como: St. Bernardus, Achouffe, Cantillon, Dupont, Palm....
Não apenas cervejarias profissionais estarão apresentando seus produtos no festival de Bruges, mas também aqueles cervejeiros que produzem sua cerveja em outras cervejarias ou contratam outras pessoas para fazer a cerveja em seu nome. Das 67 cervejarias 13 se enquadram na situação descrita anteriormente o que resulta em um percentual de 19,4%. O festival não contará com a presença de
homebrewers na acepção da palavra, ou seja, aqueles bravos que fazem cerveja em casa com panela e fogão como instrumentos de trabalho. Eu particularmente não tenho informações a respeito da quantidade de homebrewers na Bélgica e também não sei até que ponto a presença de um grande número de cervejarias prejudica ou estimula o aparecimento de cervejeiros caseiros na Bélgica. Por um lado o grande número de cervejas disponíveis no mercado poderia ser um desistimulo ao aparecimento de homebrewers, muito embora grande parte do prazer em ser homebrewer esteja em elaborar a cerveja e não apenas bebe-lá.
Deixando esta discussão a parte, o verdadeiro motivo que me levou a escrever algo sobre o festival de cerveja de Bruges, além do grande número de cervejas e do marcante fato de todas (com exceção de uma) serem produizdas na Bélgica, é o alto teor alcoólico da maioria das cervejas a serem servidas no festival.
Das 277 cervejas aproximadamente 25 delas possuem teor alcoólico (por volume) abaixo de 6%, sendo que a cerveja mais fraca possui teor alcoólico de 1,8% (uma tafelbier) e a mais forte teor alcoólico de 40% e se trata de um destilado de cerveja (schnapsbier), se desconsiderarmos esta última o teor alcoólico da cerveja mais forte cai para 12% (Malheur 12 e Malheur Dark Brut). Considerando todas as cervejas do festival temos um teor alcoólico de médio de 7,26%, o que é, na minha opinião, extremamente alto.
A figura abaixo resume a estatística das cervejas:
Vemos que o maior número de cervejas se encontra entre 6% e 7% de ABV, seguido por cervejas entre 8% e 9% de ABV, entre 7% e 8% de ABV e entre 5% e 6% de ABV. O festival contará com mais cervejas entre 10% e 10,9% de ABV do que com cervejas entre 4% e 4,9% de ABV.
Este é um fato notável e que, na minha opinião, só pode ser justificado pela tradição da escola cervejeira belga em produzir cervejas mais fortes. Este fato está em contraste com a vizinha Alemanha, que também possui uma escola cervejeira muito forte, mas que está mais acostumada a produzir cervejas com teor alcoólico mais equilibrado que raramente chega aos 9% ou 10%. O contraste entre a produção cervejeira alemã e belga vai ainda mais longe na medida em que na Bélgica grande parte das cervejas produzidas são ales e na Alemanha grande parte são lagers. O mais curioso é que em ambos os países o tipo de cerveja mais consumido é a Pilsen, sendo que este estilo representa aproximadamente 70% das vendas de cerveja na Bélgica e na Alemanha nos últimos anos, tendo apresentado um grande crescimento nos últimos 40 anos. Cabe notar ainda que o consumo per capta vem diminuindo anualmente tanto na Alemanha quanto na Bélgica, sendo que no ano de 2004 o consumo per capta atingiu 115,9 litros na Alemanha e e 93 litros na Bélgica.

Ein Prosit!