segunda-feira, 13 de julho de 2009

Traditional Bock

Segundo o BJCP o estilo Traditional Bock é originário da cidade de Einbeck que foi, na época da liga Hanseática (entre os séculos 14 e 17), um importante centro de produção de cerveja na Europa. O nome Bock, que significa bode em alemão, seria derivado do nome Einbeck e atribuído a este estilo específico de cerveja por volta do sécuo 17.
Ainda segundo o BJCP os principais ingredientes utilizados na produção de uma Traditional Bock (ou apenas Bock para simplificar) são os maltes munique e viena, lúpulos europeus, fermento de baixa fermentação e água de dureza variada.

No dia 10 de maio, tendo em mãos o fermento 2206 da Wyeast resolvi fazer uma Bock. Segundo a Wyeast o fermento 2206 é a escolha certa para este tipo de cerveja, o que me deixou bem animado quanto ao resultado final.
O único problema era que na época eu estava sem malte munique ou viena. Decidi então usar apenas malte pilsen e malte caramunique. Optei por 90% de Pilsen e 10% de caramunique.
A brassagem foi conduzida em três paradas (50º C, 65º C e 71º C) sendo que da segunda para a terceira parada foi feita uma decocção. Tive uma idéia meio maluca de, durante a decocção, acrescentar 0,5 kg de malte carared ao mosto que ia ser fervido. Assim o fiz. Retirei uns 4 litros de mosto e o coloquei em uma panela junto do 0,5 kg de carared e fervi tudo por um pouco mais de 10 minutos.
A foto abaixo mostra a decocção:


Obtive em torno de 28 litros de mosto no final da brassagem que foram fervidos por 90 minutos com adição de 16g de Perle (6,4% a.a.) no início da fervura e 15g de Saaz (3,8% a.a) nos 5 minutos finais; isto resultou em um IBU próximo de 22.
Ao final de fervura a mensuração da gravidade indicou um OG de 1,065 que após umas 3 semanas de fermentação a 10º C se reduziu para 1,014 resultando em uma atenuação de 78,5 % e 6,8 % de ABV. Com todos os parâmetros dentro daqueles indicados pelo BJCP para o estilo em questão, engarrafei a Bock (com 7g de açúcar branco por litro de cerveja) que foi batizada de “Bode Manso” no dia 27 de junho.
Após duas semanas engarrafada a cerveja já se mostrava bem carbonatada e muito saborosa. Resolvi então conduzir uma degustação na qual a Bode Manso fez frente a outras duas concorrentes: a Baden Baden Bock (6,5% de ABV) e a Petra Bock (6,2% de ABV). Era para a Kaiser Bock estar presente também, mas a dificuldade em encontrá-la onde moro justifica sua ausência.
No rótulo da Petra Bock está contada a seguinte história sobre a origem do nome da cerveja: “produzida somente durante a regência do signo de Capricórnio, cujo símbolo é o cabrito montês, animal robusto que também concedeu seu nome à cerveja.” Esta história é diferente daquela contada no BJCP, qual será a verdadeira?

Ainda olhando para o rótulo da Petra descobri que ela continha cereais não-malteados em sua composição, já a Baden Baden contém açúcar mascavo. Sendo assim, nenhuma das duas respeita a lei de pureza alemã de 1516; tecnicamente nem a Bode Manso (daqui pra frente vou chamá-la de Koloss Bock) já que foi usado açúcar branco no priming.
A foto abaixo mostra as três cervejas degustadas lado a lado:

A Petra tem uma apresentação bonita com boa formação de uma espuma de coloração bege bem clara. A Baden Baden se mostra bem mais escura que a anterior e com praticamente nenhuma espuma. Por fim a Koloss Bock (na garrafa de Heineken!) apresentou uma cor avermelhada bem semelhante a da Petra, com espuma abundante e de média duração. O fato da Koloss não ser filtrada justifica sua turbidez relativamente maior do que a das outras duas cervejas.
A princípio achei o aroma da Petra meio desagradável. Parecia que
a cerveja precisava maturar mais. Depois de um tempo este aroma desapareceu, talvez por ser muito volátil ou talvez pela falha do meu olfato já “contamindo” com o aroma das outras cervejas. No sabor pouco lúpulo e corpo para Petra.
A Baden Baden apresenta aroma e sabores adocicados (caramelo) contrastando bem com a Petra. No paladar algum caramelo.
Por fim a Kolo
ss Bock apresentou aromas de caramelo e lúpulo. No paladar caramelo e bem pouco lúpulo. Achei a Koloss a mais equilibrada das três e a Baden Baden a mais exótica. Com certeza a pior das três foi a Petra, o preço de 7 reais pela garrafa de 0,5 litro (que é uma cópia descarada da Erdinger diga-se de passagem) não justifica o produto. Entre a Baden Baden e a Koloss eu fico com a Koloss, mas é claro que eu sou suspeito para falar da minha cerveja!

Ein Prosit!