quarta-feira, 10 de junho de 2009

O surgimento dos cervechatos

Estava “passeando” pelos blogs cervejeiros que costumo ler semanalmente e fazendo algumas pesquisas no maravilhoso Google a fim de descobrir um assunto que fosse interessante o suficiente para ser publicado aqui neste blog. Mas confesso que tenho ficado meio decepcionado com o que tem acontecido no cenário cervejeiro aqui do Brasil.

Para mim ele ficou muito sofisticado. Só o que ouço falar e o que leio são sobre sofisticadíssimas cervejas feitas com os ingredientes mais especiais existentes no mundo, ou sobre aquelas cervejas tão complexas cuja lista de sabores e aromas é tão extensa quanto a ficha criminal do bandido da luz vermelha. E quanto as cervejas do dia-a-dia? E quanto as cervejas dos mortais? Será que uma cerveja para ser boa precisa ser uma cerveja super-hiper-ultra complexa com no mínimo uns 8% de ABV? Parece que sim. Parece que tais estilos de cerveja viraram o benchmarking. As pobres sessions beers com seus 4% ou 5% de ABV, quase sempre são comparadas a estas big beers.

Eu realmente não queria escrever sobre meu atual desânimo com a direção que o mundo cervejeiro tem tomado no Brasil. Mas foi aí quando já tinha quase desistido de escrever alguma coisa nesta semana, que eu encontrei consolo no blog oBIERcevando (cujo link vocês podem acessar ao lado). Parece que houve um certo fenômeno telepático entre o autor deste blog e eu.

Em um certo livro sobre comportamento social, a Gloria Kalil conta como os enochatos (contração de enólogos + chatos) estavam virando uma espécie cada vez mais comum nos dias atuais. Os enochatos são aqueles que falam incessantemente sobre vinhos e sobre como são bons os vinhos que eles possuem em suas adegas ou sobre qualquer outra baboseira que tenha a ver com vinho. É claro que existem algumas correntes que se simpatizam com os enochatos, como você pode conferir clicando aqui.

A questão é que no mundo da cerveja os beerchatos ou bierchatos ou cervechatos ou qualquer outro nome exótico que você queira dar, estão se espalhando de maneira muita rápida! Existem aqueles que não tomam determinada cerveja por causa do rótulo; existem aqueles que acham a cerveja da cervejaria do fulano muito boa, novamente apenas por causa do rótulo; existem aqueles que só tomam uma cerveja caso ela seja feita de acordo com a Reinheitsgebot; aqueles que só tomam uma cerveja caso ela não seja feita de acordo com a Reinheitsgebot, existem também aqueles que se auto-proclamam mestres-cervejeiros sem nunca ter passado em frente a uma escola de formação de mestres-cervejeiros; existem ainda os pseudo-beer-sommelier que são aqueles que possuem o paladar mais apurado do mundo.

É isso aí, espero que a proliferação dos cervechatos seja contida e que eles não se tornem regra na cultura cervejeira do Brasil.

Ein Prost!

2 comentários:

  1. Felipe, ótimo seu blog. Os textos são bem escritos e com potimo conteúdo. Parabéns!

    Pelo visto você faz cerveja em casa. Eu adoro experimentar e estou planejando produzir. Você tem alguma garrafa para vender? Eu moro em Ribeirão Preto (SP).

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  2. Olá Navarro,
    muitíssimo obrigado pela visita. Fico muito feliz em saber que o blog está agradando.
    Em um espaço curto de tempo (duas ou três semanas) eu terei alguma coisa de minha produção pronta para ser consumida! O meu e-mail você encontra no meu perfil no blog, fique a vontade para me escrever!
    Eu moro em São Carlos, e semanalmente vou a Ribeirão Preto.
    Abraço,
    Felipe

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