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sábado, 30 de janeiro de 2010

Berliner Weisse

A Berliner Weisse é uma ale fermentada com a presença de outras bactérias, assim como nas Lambics, de baixo amargor e com grande quantidade (próximo de 50%) de malte de trigo. Esta ale é uma especialidade de Berlin, e, segundo o guidelines do BJCP, apenas duas cervejarias na Alemanha ainda produzem esta cerveja muito particular.

Por ter um OG muito baixo, a Berliner Weisse é classificada como Schankbier (assim como a Guinness na Alemanha) e não como Vollbier, que é classificação mais comum para as cervejas alemãs encontradas no Brasil.

Não bastassem todas as peculiaridades descritas acima, o serviço da Berliner Weisse também é diferente da maioria das cervejas. Tradicionalmente, a Berliner Weisse é servida na Alemanha acompanhada de um xarope de frutas ou ervas. Esta maneira particular de servir esta cerveja, conhecida na Alemanha como “mit Schuss”, consiste em adicionar uma pequena dose de Waldmeistersaft que é um xarope de ervas ou ainda Himbeersaft que é um xarope de framboesas à cerveja diretamente no copo. Nos supermercados é possível encontrar a Berliner Weisse já misturada com Waldmeister ou Himbeer. Na verdade, é possível encontrar nos supermercados da Alemanha cerveja misturada com vários outros ingredientes não muito comuns. Apenas para citar alguns exemplos, pode-se degustar Altbier misturada com Coca Cola, ou ainda a Radler que é Pilsen misturada com suco de limão, dentre outras misturas bizarras que tenho receio de experimentar.

Como nunca tinha tomado um Berliner Weisse decidi começar pelo produto puro, sem nenhuma mistura. A cerveja que eu tomei foi a Berliner Kindl Weisse, que possui apenas 3% de álcool por volume, apresenta uma bela espuma branca de boa formação e baixa duração, cor amarelo bem clara lembrando muito a de uma Witbier, aroma e paladar ácidos e salgados. É uma cerveja muito diferente, bastante leve e com presença marcante de sabores acidificados e salgados. O paladar precisa se acostumar um pouco a esta cerveja, que é descrita por alguns como a cerveja mais refrescante do mundo.

Após ter tomado a Berliner Weisse sem nenhuma mistura decidi experimentar a cerveja misturada com Waldmeister. Neste caso, a Berliner Weisse apresenta uma cor verde clara com uma espuma branca-verde-clara. O aroma e o paladar são herbáceos e florais com o ácido/salgado muito presente na cerveja pura ficando em segundo plano. Achei a combinação um pouco estranha e prefiro tomar a Berliner Weisse sem adição de xarope.


Ein Prosit!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Schwarzbier

O estilo schwarzbier é representado por lagers escuras, em razão do uso de malte torrado, teor alcoólico moderado (variando entre 4,5% e 5,5%) e lupulagem também moderada.
No Brasil o estilo é muito bem representado pela Eisenbahn Dunkel que já ganhou inúmeras medalhas internacionais em virtude de sua ótima qualidade. Tive a oportunidade de experimentar três schwarzbiers alemãs. Uma delas foi a Köstritzer que é bem conhecida no Brasil e é uma famosa representante do estilo na Alemanha, a segunda schwarzbier degustada foi a schwarzer Herzog da cervejaria Wolters e a terceira foi a schwarzbier da Kloster Scheyern Brauerei, que é uma cervejaria de Munique localizado no mosteiro de Scheyer. Todas elas se apresentaram mais equilibradas e menos torradas do que a Eisenbahn.
A Köstritzer é a menos encorpada de todas e com a mais presença de malte torrada. É uma cerveja muito boa e com ótimo drinkability (no detalhe o lanche degustado com a cerveja!). A schwarzer Herzog é semelhante a Krostritzer, porém mais encorpada e com presença mais marcante de lúpulo quando comparada com a primeira. Também muito boa e fácil de tomar.
A mais surpreendente acabou sendo a Scheyern. De cor um pouco menos escura que as outras duas cervejas degustadas, a Scheyern tem um torrado muito leve e a presença de sabores de caramelo são mais marcantes. Um conjunto perfeito.

Ein Prosit!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Brauhaus Goslar

Tive a oprotunidade de conhecer a Brauhaus Golsar, na cidade de Goslar, que produz, dentre outros tipos de cerveja, a especialidade da região conhecida como Gose. A Brauhaus Goslar é uma pequena cervejaria, que é acoplada a um bar onde se pode degustar as cervejas produzidas pelo metre cervjeiro Odin Paul acompanhadas por pratos típicos da região do Harz.
Além da Gose, que é uma cerveja de alta fermentaçãoproduzida com a água das montanhas do Harz, malte de cevada, malte de trigo, lúpulo, sal e coentro, pode-se degustar a Rammelsberger Pils, uma Pilsen não filtrada de amargor delicado e uma cerveja especial que depende da época do ano. Agora em janeiros a Brauhaus Goslar está servindo uma Altbier com malte bem marcante e sabor mais adocicado do que se espera de uma Alt. Entre março e abril pode-se encontrar uma Märzen, ente Maio e Junho uma Maibock, entre Julho e Agosto uma cerveja leve de verão, entre Setembro e Outubro uma Vier-Korn-Erntebier (?) e entre Novembro e Dezembro uma Doppelbock.
As fotos do local falam por si mesmas, um belo bar/restaurante, moderno e ao mesmo tempo rustico que serve cervejas com aquele gostinho de cerveja feita em casa e de qualidade.
A Gose Hell (clara), foi a minha preferida. O coentro e o sal são bem discretos, mas se encaixam bem no conjunto. No geral é uma cerveja bastante agradável e bem balanceada.
Na Gose Dunkel o malte tem mais destaque em relação ao lúpulo e deixa, na minha opinião, o conjunto não tão equilibrado quanto na Hell.

Ein Prosit!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Deutsches Bier

A Koloss Bier estará na Alemanha nas próximas semanas. Muitas degustações e possivelmente visitas a cervejarias serão realizadas. Por enquanto, já foram degustadas algumas cervejas e as impressões serão rapidamente postadas aqui.
Existe uma variedade relativamente grande de cervejas disponíveis na Alemanha em supermercados ou em bares, mas a grande maioria das cervejas encontradas são produzidas na Alemanha.
A primeira cerveja degustada na Alemanha pela Koloss, foi uma especialidade regional. Uma märzen fabricada na cidade de Braunschweig. Ela foi oferecida como boas vindas pela dona da pousada onde estarei hospedado nas próximas semanas. De coloração âmbar e paladar limpo, a Wolters Märzen não impressiona, apesar de ser uma boa cerveja.

Após uma visita ao supermercado foram adquiridos três cervejas da cervejaria Einbecker, famosa por ser uma das criadoras do estilo Bock como o conhecemos hoje. Foram degustadas a Einbecker Dunkel, Hell Bock e Dunkel Bock. A preferida foi a Dunkel Bock que apresenta os aromas e sabores de caramelo e toffee típico das bocks com as quais estamos acostumados no Brasil. A dunkel e a Hell Bock não decepcionam, mas não são tão marcantes quanto a Dunkel Bock.

Pilsner Urquell a 79 centavos de Euro? É isso mesmo, e pensar que no Brasil ela custa umas 10 vezes mais. Preciso tomar mais algumas para postar uma impressão definitiva sobre esta clássica Pilsen.

Foi degustada ainda a Astra Urtyp que embora bastante equilibrada não apresenta nenhuma característica especial e pode ser confundida com outras pilsens alemãs.

Ein Prosit!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Concurso Eisenbahn 2009/2010

A seguir as informações a respeito do concurso.

EISENBAHN ANUNCIA A 3ª EDIÇÃO

DO CONCURSO MESTRE CERVEJEIRO

Inscrições abrem em 30 de novembro e terminam em 15 de março de 2010

Pelo terceiro ano consecutivo, a cervejaria Eisenbahn apresenta o Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn, que elege, anualmente, as melhores cervejas produzidas por cervejeiros caseiros. As inscrições começam em 30 de novembro de 2009 e seguem até 15 de março de 2010. O julgamento será realizado no dia 20 de março por uma equipe de profissionais e convidados ligados a área cervejeira.

Para essa Edição o Concurso escolherá a melhor cerveja produzida no estilo Belgian Dubbel, cervejas tipo Ale, de corpo médio e coloração que varia do avermelhado ao marrom escuro. O sabor é adocicado de malte, com amargor médio e aroma de caramelo com notas de chocolate.

Dentre as características da Belgian Dubbel está um leve aroma de lúpulo, espuma densa, cremosa e persistente. A turbidez é aceitável quando o produto for servido em temperaturas muito baixas. A cerveja não deve conter diacetil, porém ésteres frutados (especialmente de banana) produzidos pela levedura são apreciados em pequena quantidade.

O vencedor do III Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn produzirá a sua cerveja dentro da fábrica da Eisenbahn e receberá 30 caixas da cerveja para presentear os amigos. Além disso, o restante da produção será comercializada pelo Grupo Schincariol em edição limitada.

“O Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn já é tradição entre os cervejeiros, e para nós, é fundamental disseminar a cultura da cerveja artesanal no Brasil. O consumidor brasileiro está aperfeiçoando seu paladar quando falamos de cerveja. Até pouco tempo, só se conhecia o tipo pilsen, hoje sabemos que existem centenas de estilos. O Concurso oferece uma grande oportunidade aos cervejeiros caseiros de apresentar as suas criações e ter a possibilidade de produzi-las numa grande indústria.” diz Luiz Claudio Taya, diretor de marketing do Grupo Schincariol.

Assim como nas demais edições, também serão contemplados os ganhadores do 2º e 3º lugar com cinco e duas caixas de Eisenbahn, respectivamente.

Em 2007, o Concurso premiou o cervejeiro caseiro carioca Leonardo Botto com a sua Dama do Lago, em 2008, foi a vez do catarinense Ivan Steinbach com a sua Joinville Porter levar o prêmio.

Mais informações e regulamento completo no site: www.eisenbahn.com.br

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Festival da Cerveja de Brugge

Nos dias 14/11/2009 e 15/11/2009 estará acontecendo, na cidade de Bruges no norte da Bélgica, o festival de cerveja de Bruges (crédito da foto ao lado: www.brugsbierfestival.be). O festival contará com de 277 cervejas diferentes, sendo que todas, com exceção da La Trappe, são produzidas por cervejarias Belgas. No total serão 67 cervejarias diferentes, o que dá uma média de aproximadanete 4 cervejas diferentes por cervejaria. Mutias cervejarias belgas famosas estarão mostrando seu produto lá, e podemos citar, além das 7 cervejarias trapistas existentes no mundo, algumas como: St. Bernardus, Achouffe, Cantillon, Dupont, Palm....
Não apenas cervejarias profissionais estarão apresentando seus produtos no festival de Bruges, mas também aqueles cervejeiros que produzem sua cerveja em outras cervejarias ou contratam outras pessoas para fazer a cerveja em seu nome. Das 67 cervejarias 13 se enquadram na situação descrita anteriormente o que resulta em um percentual de 19,4%. O festival não contará com a presença de homebrewers na acepção da palavra, ou seja, aqueles bravos que fazem cerveja em casa com panela e fogão como instrumentos de trabalho. Eu particularmente não tenho informações a respeito da quantidade de homebrewers na Bélgica e também não sei até que ponto a presença de um grande número de cervejarias prejudica ou estimula o aparecimento de cervejeiros caseiros na Bélgica. Por um lado o grande número de cervejas disponíveis no mercado poderia ser um desistimulo ao aparecimento de homebrewers, muito embora grande parte do prazer em ser homebrewer esteja em elaborar a cerveja e não apenas bebe-lá.
Deixando esta discussão a parte, o verdadeiro motivo que me levou a escrever algo sobre o festival de cerveja de Bruges, além do grande número de cervejas e do marcante fato de todas (com exceção de uma) serem produizdas na Bélgica, é o alto teor alcoólico da maioria das cervejas a serem servidas no festival.
Das 277 cervejas aproximadamente 25 delas possuem teor alcoólico (por volume) abaixo de 6%, sendo que a cerveja mais fraca possui teor alcoólico de 1,8% (uma tafelbier) e a mais forte teor alcoólico de 40% e se trata de um destilado de cerveja (schnapsbier), se desconsiderarmos esta última o teor alcoólico da cerveja mais forte cai para 12% (Malheur 12 e Malheur Dark Brut). Considerando todas as cervejas do festival temos um teor alcoólico de médio de 7,26%, o que é, na minha opinião, extremamente alto.
A figura abaixo resume a estatística das cervejas:Vemos que o maior número de cervejas se encontra entre 6% e 7% de ABV, seguido por cervejas entre 8% e 9% de ABV, entre 7% e 8% de ABV e entre 5% e 6% de ABV. O festival contará com mais cervejas entre 10% e 10,9% de ABV do que com cervejas entre 4% e 4,9% de ABV.
Este é um fato notável e que, na minha opinião, só pode ser justificado pela tradição da escola cervejeira belga em produzir cervejas mais fortes. Este fato está em contraste com a vizinha Alemanha, que também possui uma escola cervejeira muito forte, mas que está mais acostumada a produzir cervejas com teor alcoólico mais equilibrado que raramente chega aos 9% ou 10%. O contraste entre a produção cervejeira alemã e belga vai ainda mais longe na medida em que na Bélgica grande parte das cervejas produzidas são ales e na Alemanha grande parte são lagers. O mais curioso é que em ambos os países o tipo de cerveja mais consumido é a Pilsen, sendo que este estilo representa aproximadamente 70% das vendas de cerveja na Bélgica e na Alemanha nos últimos anos, tendo apresentado um grande crescimento nos últimos 40 anos. Cabe notar ainda que o consumo per capta vem diminuindo anualmente tanto na Alemanha quanto na Bélgica, sendo que no ano de 2004 o consumo per capta atingiu 115,9 litros na Alemanha e e 93 litros na Bélgica.

Ein Prosit!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Belgian Pale Ale

Neste final de semana fiz a primeira leva com o novo equipamento da Koloss, este equipamento possui capacidade maior do que o que usávamos até agora. A nova panela tem capacidade para 68 litros, contra 32 litros da antiga, possui uma torneira e um termômetro acoplados e tem também um fundo falso de aço inox para filtrar o mosto após a lavagem. O projeto foi concebido e executado pelo diretor de projetos da Koloss, sr. Hans Lorenzen, e gerou resultados satisfatórios em sua estréia.

O único fermento que tinha em casa, para a estréia da nova panela, era o Belgian Strong Ale da WYEAST e por isso mesmo estava decidido fazer uma Belgian Dark Strong Ale. O problema é que houve um engano na entrega da encomenda de malte pilsen que eu fiz na semana passada, e como eu só tinha em casa 3,3 kg de malte pilsen, fiquei impossibilitado em obter um OG alto digno de uma Belgian Strong Ale. O jeito foi fazer algo próximo de uma Belgian Pale Ale, um pouco mais lupulada e não tão escura quanto uma Belgian Dark Strong Ale.

Os fermentáveis foram os seguintes :

- 3,3 kg de malte pilsen

- 3,1 kg de malte munich

- 1,0 kg de malte de trigo

- 0,6 kg de malte caramunich

- 500 g de candi sugar

A brassagem foi simples: 60 minutos entre 64º C e 67º C e 20 minutos a 72º C. A grande novidade foi o uso do candi sugar, que aprendi a fazer no mês passado. Os lúpulos usados foram Galena (12,5% a.a.) e Saaz (3,8% a.a.). As quantidades e os tempos de fervura foram os seguintes:

- 20 gramas de Galena por 90 minutos

- 10 gramas de Saaz por 15 minutos

- 15 gramas de Saaz por 5 minutos

Isto levou a um IBU de 28, considerando que o volume final foi próximo de 42 litros. O OG ficou em 1,045 o que dá, aproximadamente, uma eficiência de 70%. O candi sugar foi adicionado 30 minutos antes do final da brassagem, foi adicionado ainda uma colher e meia de sopa de irish moss nos 15 minutos finais.

Após uma hora e meia de fervura o grande problema foi resfriar os 42 litros de mosto no final. Como estou ainda sem um chiller apropriado para resfriar e como quando eu cheguei a 38º C já passava da meia noite, acabei inoculando o fermento apenas no dia seguinte ao da brassagem.

A cerveja agora está fermentando a 20º C em dois recipientes de 20 litros e um de 5 litros. Depois da fermentação estou pensando em fazer um dry hoping com parte da leva e deixar a outra parte maturando normalmente. Quando estiver pronto eu coloco as impressões da cerveja!


Ein Prosit!